Bem-Vindos ao Nobel Felipense.

Liberdade de Expressão e Democracia com respaldo no atual Art. 220º e § 2º da Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A vergonha de um nome e um passado

Da esquerda para a direita: Rainer Hoess, Monika Hertwig e Katrin Himmler, filhos ou netos de nazistas

Para os alemães que trazem na assinatura sobrenomes como Himmler, Goering e Goeth, que pertenceu a infames membros do Partido Nazista, a Segunda Guerra Mundial é ainda um assunto rodeado de traumas e um período obscuro nas memórias de família.

Rainer Hoess é neto de Rudolf Hoess, (que não deve ser confundido com o vice-líder nazista Rudolf Hess) primeiro comandante do campo de concentração de Auschwitz. Seu pai cresceu em uma vila anexa ao campo a pouca distância das câmaras de gás, onde brincava, junto com os irmãos, com brinquedos fabricados pelos prisioneiros.

Rainer se lembra quando sua mãe mostrou a ele, quando ele ainda era criança, um baú à prova de fogo, com uma grande suástica na tampa. No baú, muitas fotos de família mostrando seu pai, ainda criança, brincando com os irmãos nos jardins da casa onde moravam.

A avó de Rainer pedia aos filhos que lavassem os morangos que comiam. As frutas eram cultivadas no campo e, segundo a avó de Rainer, tinham o cheiro das cinzas dos fornos de Auschwitz.

"É difícil explicar a culpa, mesmo que não exista razão de eu sentir culpa. Mas eu ainda carrego isto, eu carrego a culpa em minha mente", contou Rainer Hoess.

"Também sinto vergonha, é claro, pelo que minha família, meu avô fez a milhares de outras famílias."

O pai, filho de Rudolf Hoess, nunca abandonou a ideologia nazista e Rainer perdeu o contato com ele.

Visita

Foi apenas depois dos 40 anos que ele finalmente visitou Auschwitz, para enfrentar "a realidade do horror e das mentiras que tive todos estes anos em minha família".

Ao ver a casa onde o pai passou a infância, Rainer conseguia apenas repetir a palavra "insanidade" e, no centro de visitantes, se encontrou com descendentes das vítimas de Auschwitz.

Muitos dos descendentes choraram ao contar suas histórias e uma jovem israelense não conseguia acreditar que Rainer tinha ido até o campo para falar com eles.

Enquanto ele falava de sua culpa e vergonha, um sobrevivente disse a Rainer que os familiares dos nazistas não devem ser culpados pelas atrocidades.

"Receber a aprovação de alguém que sobreviveu àqueles horrores e saber com certeza que não foi você, que você não fez aquilo. Pela primeira vez você não sente o medo ou vergonha, mas felicidade, alegria", disse.

Livro

Katrin Himmler resolveu escrever um livro para lidar com a culpa de ter Heinrich Himmler em sua família.

Himmler, um dos arquitetos do Holocausto, era tio-avô de Katrin. O avô e outro irmão também eram membros do Partido Nazista.

"É um fardo muito pesado ter alguém como ele na família, tão próximo. É algo que fica com você", disse.

Ela escreveu o livro The Himmler Brothers: A German Family History ("Os Irmãos Himmler: História de uma Família Alemã", em tradução livre), em uma tentativa de "trazer algo positivo" para o nome Himmler.

"Tentei da melhor forma me distanciar disto, enfrentar de forma crítica. Eu não preciso mais ficar envergonhada desta conexão de família."

Para Katrin, os descendentes de criminosos de guerra nazistas parecem ter duas opções extremas.

"A maioria decide cortar totalmente a relação com os pais, para que possam tocar suas vidas, para que a história não os destrua. Ou então optam pela lealdade e amor incondicionais, e limpar todas as coisas negativas."

Ela mesma pensou que tinha um bom relacionamento com o pai até que decidiu pesquisar o passado da família. Ele tinha muita dificuldade em falar do passado.

"Eu só entendi como era difícil para ele quando percebi o quanto era difícil para mim aceitar que minha própria avó era uma nazista."

"Eu a amava muito,(...) foi muito difícil quando encontrei as cartas dela e descobri que ela mantinha contato com os velhos nazistas e que ela enviou uma correspondência para um criminoso de guerra condenado à morte. Me deixou doente."

Lista de Schindler

Monika Hertwig é filha de Amon Goeth, o comandante sádico do campo de concentração de Plastow, interpretado pelo ator britânico Ralph Fiennes no filme A Lista de Schindler, de Steven Spielberg.

Ela era apenas um bebê quando Goeth foi julgado e condenado à morte. Monika foi criada pela mãe e, durante a infância, tinha uma visão distorcida do que acontecia em Plastow.

"Eu tinha esta imagem que criei (que) os judeus em Plastow e Amon eram uma família."

Quando era adolescente, ela questionou a mãe e foi chicoteada com um fio elétrico.

Apenas quando assistiu ao filme de Spielberg, Monika soube de todo o horror causado por seu pai e contou que "foi como ser atingida".

"Eu pensava que isto (o filme) tinha que parar, em algum momento eles tem que parar de atirar, pois se não pararem, vou enlouquecer aqui dentro deste cinema."

Ela saiu do cinema em choque.

Esterilização

Já Bettina Goering, sobrinha-neta de Hermann Goering, o primeiro na linha de poder do Partido Nazista depois de Adolf Hitler, optou por uma medida bem mais drástica para lidar com o legado de sua família.

Ela e o irmão optaram pela esterilização.

"Nós dois fizemos... para que não existam mais Goerings. Quando meu irmão fez, ele me disse: 'Cortei a linha'", explicou Bettina.

Perturbada pela semelhança com o tio-avô, ela deixou a Alemanha há mais de 30 anos e agora vive em um local remoto do Estado americano do Novo México.

"É mais fácil lidar com o passado de minha família à distância", disse.





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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Yes, nós temos Máfias


 
Apesar de o crime organizado proliferar no Brasil, a lei atual ainda é confusa, e o Estado, fraco na sua repressão. Um problema que remete à formação da sociedade nacional.

Nos últimos anos, a opinião pública brasileira foi tomada de assalto por revelações bombásticas sobre relações íntimas e perigosas mantidas entre banqueiros, empresários, políticos, bicheiros, juízes, advogados, jornalistas, funcionários de Tribunais – enfim, a fina flor da sociedade. Banestado, “mensalão”, Marka/FonteSindam, bingos, Previdência, Telebrás, Vale do Rio Doce, Daniel Dantas, Carlinhos Cachoeira e vários Políticos Brasileiros...Os nomes se multiplicam e reverberam sem parar aquilo que todo mundo mais ou menos sabe: este é o país que reserva a impunidade aos “gente fina” (ainda que, ultimamente, a Polícia Federal tenha tentado mostrar que alguma coisa está mudando. Será?).

As evidências indicam que por trás de cada escândalo há uma organização estruturada, ancorada em gente situada em órgãos do Estado e amparada por pessoas que conhecem e manipulam a lei – sem dispensar, é claro, o recurso ao suborno. Ainda assim, tais esquemas não são comumente qualificados como articulações do crime organizado. Em geral, a mídia confunde “crime organizado” com organizações voltadas para o crime, incluindo até pequenos bandos que atuam em favelas. É uma confusão tão primária – e conveniente para os chefões das verdadeiras máfias – que até causa suspeitas.

A ação do crime organizado, tal como é entendida pelas instituições internacionais contemporâneas, incluindo os órgãos da Organização das Nações Unidas, pressupõe uma vasta rede de interesses econômicos, políticos e financeiros, que funciona com base na lavagem de dinheiro, da corrupção, do tráfico de influência e do assassinato. A dificuldade começa, no Brasil, pelo fato de a lei que trata do assunto (10.217/01) ser fraca, confusa e nada eficaz. Se é verdade que o seu texto distingue o crime organizado do promovido por associação criminosa ou bando, não vai muito além disso. A lei brasileira atual torna difícil reconhecer até mesmo o que é o crime organizado.

A Academia Nacional de Polícia Federal do Brasil enumera dez características do crime organizado: 1) planejamento empresarial; 2) antijuridicidade; 3) diversificação de área de atuação; 4) estabilidade dos seus integrantes; 5) cadeia de comando; 6) pluralidade de agentes; 7) compartimentação; 8) códigos de honra; 9) controle territorial; 10) fins lucrativos. “Curiosamente, a relação entre o crime organizado e o Estado é sempre apontada como uma de suas características pelas agências de combate ao crime do mundo, mas não no caso da PF brasileira”, observa Adriano Oliveira, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco.

É claro que a indefinição quanto ao combate ao crime organizado no Brasil remete a uma questão que não se esgota na esfera jurídica: reflete a própria natureza do Estado brasileiro e do processo histórico que o formou, baseado na manutenção de leis que tinham por objetivo preservar o poder de uma diminuta elite sobre a vasta maioria pobre. Esta é a raiz da impunidade dos ricos, cujos interesses privados sempre se impuseram ao próprio Estado.

As Máfias Tupiniquins só serão devidamente punidas quando o poder público finalmente se impuser à “casa-grande”.

Fonte: Srº José Arbex Jr. é jornalista, mestre em história, professor da PUC-SP e co-autor do livro O século do crime (Boitempo editorial).

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A República dos meus sonhos

Alguns setores apostaram em suas utopias, outros, mais pragmáticos, agiram movidos por interesses bem objetivos, apenas emoldurados por um discurso.

Em artigo publicado na imprensa, Mendes Fradique, um humorista muito popular nos anos 20, brincava com a tradição pessimista brasileira de considerar que o país estava sempre à beira do abismo. Segundo ele, esse diagnóstico levou a várias tentativas de mudança, das quais as mais profundas se relacionaram com a troca de regime: de colônia para monarquia independente e de monarquia para República. No entanto, a República, que durante o Império foi tida como a solução para os problemas do país, depois de proclamada provocou a frase de um dos seus mais antigos defensores, Saldanha Marinho: “Essa não é a República dos meus sonhos”. 

De fato, por trás da mudança pela qual se empenharam os mais idealistas, agitavam-se os mesmos velhos interesses do grande capital fundiário e exportador de café. Era a economia que ditava a mudança. E os ideais de civis e militares foram o combustível para que o movimento deslanchasse em 15 de novembro de 1889. 

Outro ideal quase sempre associado ao sonho republicano, a federação, também se realizou com a proclamação da República. No entanto, um de seus maiores defensores, Rui Barbosa, poderia imitar Saldanha Marinho, dizendo: “Este não é federalismo dos meus sonhos”. Pois o sistema que, rompendo a tradição centralista da monarquia, deveria ser fator de progresso para as províncias, propiciou o abandono das regiões pobres do país ao poder discrionário de coronéis.

Fonte: Drª Isabel Lustosa é doutora em ciência política pelo Iuperj e pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa.

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domingo, 20 de maio de 2012

Maravilhas Nordestinas



Ariano Vilar Suassuna (João Pessoa - PB, 16 de junho de 1927) um defensor da cultura do Nordeste, é um dos mais importantes dramaturgos brasileiros, autor dos célebres "Auto da Compadecida" e "A Pedra do Reino". É também romancista, poeta, filósofo e advogado.

Defensor militante da cultura brasileira, Ariano foi o idealizador do Movimento Armorial, que tem como objetivo criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste. Tal movimento procura orientar para esse fim todas as formas de expressões artísticas: música, dança, literatura, artes plásticas, teatro, cinema, arquitetura, entre outras expressões.

Frases de Ariano Suassuna:

"Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa".

"A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto... Nunca vi um gênio com gosto médio."

"… que é muito difícil você vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos."

"Que eu não perca a vontade de ter grandes amigos, mesmo sabendo que, com as voltas do mundo, eles acabam indo embora de nossas vidas"

"O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso."


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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Reivindicar é uma obrigação do Cidadão

Entenda a nova Lei de Acesso à Informação
Especialistas tiram dúvidas sobre como o cidadão pode garantir seus direitos

A Lei de Acesso à Informação entrou em vigor nesta quarta-feira. A nova regra tem o objetivo de regulamentar o direito de acesso dos cidadãos às informações públicas e seus dispositivos aplicáveis aos três poderes da União: Legislativo, Executivo e Judiciário, segundo informações da CGU (Controladoria Geral da União).

O especialista em direito administrativo Nestor Castilho Gomes, do escritório Bornholdt Advogados, avalia que a lei é importante, pois tem o objetivo de regulamentar o acesso às informações de forma a garantir a transparência, que é um dever da administração pública e um direito do cidadão.

A lei “concretiza o princípio da publicidade na administração pública. A Constituição Federal garante a todos o direito de receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral”, explica.

O diretor do IASP (Instituto dos advogados de São Paulo), José Horácio Halfeld Rezende Ribeiro, concorda com a importância da nova regulamentação e destaca que “o grande mérito é que você realmente efetiva o acesso à informação”. Mas ressalta que é preciso que haja um bom treinamento dos servidores públicos que terão acesso a essas informações. “É preciso que eles estejam preparados e tenham o discernimento para garantir a proteção dos dados”.

A lei também estabelece prazos para que sejam repassadas as informações ao solicitante. Segundo o governo federal, a “resposta deve ser dada imediatamente, se estiver disponível, ou em até 20 dias, prorrogáveis por mais dez dias”.

Abaixo, o advogado Gomes esclarece algumas dúvidas sobre a nova lei:

- A quais informações o cidadão passa a ter direito de acesso?

A qualquer informação de interesse público. Podemos citar como exemplo informações relativas à agenda de autoridades, atividades exercidas pelos órgãos e entidades públicos, utilização de recursos públicos, licitações, contratos administrativos, resultado de inspeções, auditorias etc. O acesso a estas informações permite que a sociedade fiscalize a gestão pública, o que é central para o exercício pleno da cidadania.

- Caso não receba a informação solicitada, a quem o cidadão pode recorrer?

O cidadão poderá interpor recurso, que será dirigido à autoridade hierarquicamente superior àquela que se recusou a prestar a informação. Em última instância, o Poder Judiciário poderá ser acionado.

- O servidor público que se negar a conceder a informação sofre alguma punição?

Sim. A Lei prevê que o agente público que se recusar a fornecer a informação requerida, retardar deliberadamente o seu fornecimento ou fornecê-la intencionalmente de forma incorreta, incompleta ou imprecisa, comete infração administrativa, que deverá ser apenada, no mínimo, com suspensão. Dependendo do caso, há a possibilidade de o agente público também responder por improbidade administrativa.

- É necessário justificar o motivo pelo qual determinada informação é solicitada?

Não. Basta que o pedido contenha a identificação do cidadão interessado e a especificação da informação requerida. Vale lembrar que o pedido de informações é gratuito. Na hipótese de reprodução de documentos poderá ser cobrado exclusivamente o valor necessário ao ressarcimento do custo dos serviços e dos materiais utilizados. Ainda assim, as pessoas que não tenham condições econômicas de arcar com estes custos de reprodução estarão isentas da cobrança.

Além dessas questões, a AGU (Advocacia-Geral da União) disponibiliza em seu site (logo abaixo) uma série de perguntas e respostas sobre a nova legislação.

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terça-feira, 15 de maio de 2012

Maravilhas de Portugal


José de Sousa Saramago (Nasceu em Golegã, Azinhaga em 16 de Novembro de 1922 , Portugal - Faleceu em Tías, Lanzarote um arquipélago das Canárias em 18 de Junho de 2010, Espanha) foi um escritor, argumentista, teatrólogo, ensaísta, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português.

Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998, o único Prêmio Nobel da língua portuguesa até o momento. Também ganhou em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. José Saramago foi e é considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa ao mundo da literatura.

Vale a pena mencionarmos aqui o livro “Ensaio sobre a Lucidez” onde ocorre a seguinte cena: 

“Num país indeterminado decorre, com toda a normalidade, um processo eleitoral. No final do dia, contados os votos, verifica-se que na capital cerca de 70% dos eleitores votaram branco. Repetidas as eleições no domingo seguinte, o número de votos brancos ultrapassa os 80%.”

Uma das piores hipóteses para cada sistema que se diz democrático, a rejeição total de todas as propostas eleitorais, é ponto da partida para uma especulação sobre o sistema político, o seu caráter democrático ou antidemocratico, a cegueira do povo - ou a sua repentina lucidez. Uma esperança? 

Esse "corte de energia cívica" que trata-se esta magnífica obra, pois ao narrar as providências de governo, polícia e imprensa entenderemos as razões desta tal "epidemia branca", o autor faz uma alegoria da fragilidade dos rituais democráticos, da política e das instituições.

Na por parte do autor proposta a substituição da democracia por um sistema alternativo, mas  sim do seu permanente questionamento. É enebriante saborearmos as distopias propostas pelo autor nesta obra de arte literária.

Na sua ficção o escritor português entrevê uma saída para esse impasse. E é a potência simbólica da literatura - território em que reflexão, humor, arte e política se confundem - que se revela capaz de vencer a mediocridade, a ignorância e o medo.

O escritor luso buscou desenvolver uma crítica mordaz às instituições governamentais: sob o véu da democracia, enxergava os vetores da natureza autoritária - lúcido é, na verdade, quem os percebe.

Nascido em uma região paupérrima em Portugal, José Saramago talvez tenha na vida o melhor de todas as suas obras atemporais. Seria em Lisboa que o futuro Prêmio Nobel da Literatura se tornaria "operário da escrita", como tradutor, jornalista e romancista profissional.

Com uma linguagem solene e racional, o narrador assume a objetividade distante de um relator oficial, José Saramago combinou a força da linguagem oral com recursos estilísticos de traços barrocos.


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domingo, 13 de maio de 2012

Em 13 de maio de 1888, Brasil ganhava lei que libertou os escravos


Era 13 de maio de 1888. O imperador dom Pedro 2º estava na Europa, em um tratamento de saúde, quando a princesa Isabel assinou a lei que libertou os negros da escravidão no Brasil. Ele estava longe de sua terra, mas sabia que a filha fazia história naquele dia.

Com 42 anos à época, Isabel havia visto durante toda a vida o sistema de trabalho escravo que o Império brasileiro adotava. O tráfico negreiro, que capturava homens, mulheres e crianças na África e os trazia em navios para o Brasil, estava proibido desde 1831, mas se mantinha mesmo ilegalmente nos tempos em que a princesa nascera.

Do período em que o país era colônia de Portugal no século 16 (em que se deu a substituição dos índios pelos negros para fazer trabalhos forçados) até depois da independência, no 19, todos os ciclos econômicos utilizaram a mão-de-obra escrava. Seja nas plantações de cana-de-açúcar no Nordeste, na mineração de ouro, em Minas Gerais, ou no início das fazendas de café em São Paulo e no Rio.

Diante da situação, escravos se rebelavam e fugiam, mas se fossem encontrados, eram levados de volta aos donos e castigados com chicotadas, por exemplo.

Já alguns outros conseguiam comprar a carta de alforria, que significava pagar um valor por sua liberdade.

Aos poucos, porém, a história foi mudando. Com Isabel no trono, durante licença de seu pai em 1871, o gabinete --conjunto de ministros --do visconde de Rio Branco (1819-1880) aprova a Lei do Ventre Livre. O decreto liberta os filhos de escravos nascidos a partir daquele ano.

E com a vitória na Guerra do Paraguai (1865-1870), da qual participaram vários soldados negros e mulatos que, ao retornar ao Brasil, não queriam voltar à sua antiga condição, o abolicionismo cresce entre a população. O movimento defendia o fim da escravidão e contava com o apoio de políticos, escritores, jornalistas e da própria princesa.

Ao assinar a lei que libertava os negros, votada e aprovada no Parlamento, Isabel foi celebrada no país inteiro, mas também virou alvo de críticas. Os donos de terras não aceitavam perder os escravos sem ganhar dinheiro em troca e passaram a lutar pela queda da Monarquia.

Em 1889, o Marechal Deodoro (1827-1891) proclama a República, o sistema de governo usado no Brasil até hoje. Dom Pedro 2º e toda sua família, incluindo a princesa, são obrigados a ir embora e deixam o país.

Isabel morre em 1921, na França, aos 75 anos.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Mais ativos e inteligentes

Exercícios físicos aumentam o volume do cérebro, estimulam a sensação de bem-estar e alteram, para melhor, o modo como pensamos e sentimos.

A maioria das pessoas se sente bem depois de correr ou mesmo fazer uma caminhada leve. Há várias hipóteses, levantadas pela ciência e pelo senso comum, que explicam esse fato: o exercício físico ajuda a esquecer pequenas frustrações diárias, reduz a tensão muscular e estimula a produção de endorfinas. Mas talvez a maior razão de nos sentirmos tão bem quando o coração bate mais rapidamente e bombeia sangue por todo o corpo é que isso ativa o cérebro e seus intrincados circuitos – o que, segundo estudos recentes, é o maior benefício do exercício físico. O desenvolvimento de músculos e o condicionamento do coração e dos pulmões podem ser considerados apenas efeitos colaterais diante do potencial que a atividade física tem de nos tornar mais bem humorados e inteligentes.

 Alguns benefícios da atividade física para o cérebro:

1. Previne acidente vascular cerebral: o aumento da capacidade cardiorrespiratória reduz a pressão sanguínea do corpo em repouso, o que diminui o risco de acidentes vasculares cerebrais (AVC). A movimentação sintetiza proteínas, como o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF, na sigla em inglês), que estimula a produção de células endoteliais, que compõem o revestimento interno de vasos sanguíneos, tornando-os mais resistentes. O exercício desencadeia também a liberação do gás óxido nítrico, que dilata os vasos para permitir a passagem de um maior volume de sangue.

2. Reduz risco de demência: pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, acompanharam 1.173 pessoas com mais de 75 anos por quase uma década. Nenhuma delas tinha diabetes, mas as que possuíam altos níveis de glicose apresentaram uma probabilidade 77% maior de desenvolver Alzheimer. Conforme envelhecemos, os níveis de insulina caem e a glicose tem mais dificuldade para chegar às células e abastecê-las. O excesso de glicose não absorvida cria resíduos nas células, como os radicais livres, que danificam os vasos sanguíneos, colocando-nos em risco de desenvolver Alzheimer. No organismo em equilíbrio, a insulina age contra o acúmulo de placas amiloides, mas seu excesso contribui para o aumento das placas e a inflamação, danificando os neurônios ao redor.

3. Melhora o humor: a maior produção de neurotransmissores, como a serotonina, e o aumento do número de sinapses previnem a atrofia do hipocampo, associada à depressão e ansiedade. Vários estudos relacionam a prática de atividade física regular à melhora do humor. Além disso, exercícios ao ar livre ou mesmo na academia de ginástica são boa oportunidade para interagir socialmente e fazer novos amigos; as relações sociais são importantes para a manutenção do humor e da autoestima, principalmente depois dos 60 anos.

4. Aumenta a motivação: a atividade física ativa a produção de dopamina, neurotransmissor responsável pelas sensações de prazer e motivação. Iniciar um programa de exercícios, aliás, é um desafio que demanda planejamento e autocontrole.

5. Promove a neuroplasticidade: atividades aeróbicas fortalecem as conexões neuronais e estimulam as células-tronco recém-nascidas a se dividir e se transformar em neurônios funcionais no hipocampo, o que previne o atrofiamento dessa área do cérebro relacionada à memória. Um cérebro ativado pelos exercícios favorece a neuroplascidade e a neurogênese, que é a formação de novos neurônios.

Fonte: Revista Mente & Cérebro ( http://www2.uol.com.br/vivermente/ )


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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Malogrados Tupiniquins



O Rio Grande do Norte (RN) não poderia deixar de participar de forma ativa da festa nacional da injustiça e improbidades. A ex-chefe do Setor de Precatórios do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), Carla de Paiva Ubarana Leal, “chuta o pau do barraco” e abriu o jogo sobre o esquema de desvio de milhões de reais dos Precatórios com a conivência de Desembargadores do Estado do RN.  Até que enfim descobriram que o RN existe! E quando encontrarão o rincão Felipelândia no mapa dos desmandos públicos e ilusões populares? Quem sabe um dia…! Ainda há aqui um pouco de esperança.

Tal notícia do RN e a CPI do Bicheiro Carlinhos Cachoeira que cada dia mostra uma cara nova da política nacional ligada ao bicheiro são mencionadas hoje em vários jornais da Europa e outros países do mundo, infelizmente! Cada vez mais nos afundamos nesse lamaçal de corrupção do Brasil. Até quando exerceremos o papel de "povinho acéfalo" e aceitaremos estes desmandos e latrocínios dos bandidos de paletós? Porque grandes intelectuais brasileiros apoiam movimentos contra causas justas em outros países e nem se quer mencionam ou emitem uma única opinião sobre o nosso maior problema nacional? A corrupção!

Antes que os ufanistas desvairados e cegos funcionais digam que não amamos e/ou louvamos o nosso Querido Brasil, deixo aqui os meus louvores: “Viva” a terra Tupiniquim, infinitos louvores a Neymar (ops desculpem os fiés, é DeusMar!), as Mulheres Frutas e a cultura da fácil bunda nacional, não podemos também esquecer da Luíza do youtube que estava no Canadá (será que ela já voltou?), e a evidente (des)contribuição social das celebridades nacionais (quem esta namorando com quem? A cor da calcinha da atriz Fulana! O todo poderoso Thor filho de Eike Batista bateu a Ferrari! As novelas globais hipnotizadoras das massas e vem aí o BBB13!). São estes entre outros conteúdos fúteis e insignificantes expostos pelos principais meios mediáticos  nacionais que só nos distanciam da total realidade e da verdadeira essência do povo Brasileiro. Fica aqui o meu “Viva”, e também daqueles que não toleram e já não digerem mais tanta falta de respeito com o nosso país! Até quando isto será tolerável? Somente O Poder Superior poderá mencionar e delinear o fim desta lástima.

E a assim caminhamos como a 6ª economia do mundo com sua política e as suas esferas administrativas infestadas de antropófagos (Executivo, Legislativo e Judiciário), restando-nos  assim a luta diária como homens justos na tentativa de viver dias melhores em uma terra de injustiça e devaneios, onde ser honesto é viver para pagar um preço altíssimo.

Ficamos todos com Amor e Paz em Pedra das Abelhas e a todos seus Filhos sejam eles onde estiverem.

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domingo, 1 de abril de 2012

A importância da Leitura para o Brasileiro

"A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo." 
Joseph Addison

"Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro."  Henry Thoreau

Pesquisa aponta que brasileiro reconhece importância da leitura, mas prefere outras atividades.

O brasileiro sabe da importância da leitura para progredir na vida, mas continua considerando a atividade desinteressante. Este é o principal diagnóstico da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada nesta semana pelo Instituto Pró-Livro. Foram entrevistadas mais de cinco mil pessoas em 315 municípios e os resultados apontam que apenas metade delas pode ser considerada leitora. O critério é ter lido pelo menos um livro nos últimos três meses.

Entre os participantes, 64% concordaram totalmente com a afirmação “ler bastante pode fazer uma pessoa vencer na vida e melhorar sua situação econômica”. Mas 30% disseram que não gostam de ler, 37% gostam um pouco e 25% gostam muito. Entre os não leitores, a principal razão para não ter lido nos últimos meses é a “falta de tempo”, apontada por 53% dos entrevistados. No topo da lista aparecem também justificativas como “não gosto de ler” (30%) ou “prefiro outras atividades” (21%).

A professora Vera Aguiar, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), explicou que a falta de hábito de leitura no país é cultural. “Nossa cultura é muito oral. Se a gente pensa na religião, nas festas como o carnaval ou nos esportes como o futebol, percebe que o brasileiro prefere atividades exteriores que envolvam muitas pessoas”, aponta a pesquisadora da Faculdade de Letras da PUC-RS.

Vera defende que mesmo sendo uma questão cultural, é possível mudar o quadro com ações de incentivo à leitura. Ela acredita que nas últimas décadas houve um incremento grande de programas voltados para o estímulo da leitura, mas as iniciativas ainda não tiveram o efeito esperado. “Há várias iniciativas de vários setores da sociedade – governos municipais, estaduais e federal, ONGs [organizações não governamentais], universidades – mas mesmo assim é pouco. Essas ações precisam ser mais articuladas”.

Para Maria Antonieta Cunha, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e diretora do programa do Livro Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, o brasileiro associa a leitura à obrigação e não ao prazer. Um trecho do estudo que evidencia essa tese são as respostas dos entrevistados à pergunta “qual é o significado da leitura para você”. Mais de 60%, acham que ler uma “fonte de conhecimento para a vida”, “fonte de conhecimento para atualização profissional” (41%) e “fonte de conhecimento para a escola” (35%). Para a professora, os resultados indicam que a maioria das pessoas não associa diretamente a leitura a uma atividade de lazer.

“A questão é que nós não temos a leitura como um valor social. A pessoa não conseguiu descobrir que a leitura trabalha, mais do que tudo, com a transcendência, que é o grande item do ser humano. É aquilo que diz Fernando Pessoa: a literatura é uma confissão de que a vida não basta”, disse Maria Antonieta durante o lançamento da pesquisa.

O estudo também demonstra que o hábito da leitura está conectado com a frequência à escola. Entre os que estudam estão apenas 16% do total da população de não leitores. Mesmo entre aqueles considerados leitores, a média de obras lidas é 1,4 para quem não está estudando ante 3,4 para quem estuda (considerando os últimos três meses). “Que escola é essa que nós temos que não consegue desenvolver leitores para a vida inteira?”, pergunta Maria Antonieta.

A representante do Ministério da Cultura defende que as escolas e as bibliotecas, apontadas como um local desinteressante pelos entrevistados, precisam ter bons mediadores de leitura. “São professores verdadeiramente capazes de fazer o olhinho do aluno brilhar ao ouvir uma história. Para isso o próprio professor precisa ser um apaixonado pela leitura”.

Fonte: Amanda Cieglinski da Agência Brasil, em Brasília.


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quarta-feira, 28 de março de 2012

Dom Quixote


O livro Dom Quixote do escritor espanhol Miguel de Cervantes é uma obra magnífica. Por falta de tempo demorei um pouco para lê-la, mas valeu a pena. É incrível como a insanidade de um ser pode virar uma poesia. Como a amizade de duas pessoas pode te envolver, assim como envolveu por todos esses dias até os dias de hoje. É uma obra de cabeça genial. Descreve um lirismo característico da época (que é o amor de Dom Quixote por sua amada Dulcinéia Del Toboso).

O livro mostra também outras facetas, que são as do hilariante e fiel escudeiro Sancho Pança. Sancho com seus ditos populares e engraçados a irritar seu amo. Enfim, é pegar o livro e viajar em cada página, absorver cada lição de vida e guardar para sempre e a sete chaves na cabeça e no coração. O "Cavaleiro da Triste Figura" como é alcunhado nosso herói que faz de tudo para provar seu amor à sua amada, só não cumpre sua promessa com o sempre esperançoso e aflito escudeiro Sancho Pança.

Na minha humilde opinião é realmente uma obra prima, originada dos frutos de uma imaginação mágica.


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Morre Millôr Fernandes


Frases de Millôr Fernandes:

"As pessoas que falam muito, mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades." 

" [POEMEU EFEMÉRICO]
Viva o Brasil
Onde o ano inteiro
É primeiro de abril." 

"Não devemos resisitir às tentações: elas podem não voltar."

"O poder é o camaleão ao contrário: todos tomam a sua cor."

Millôr Fernandes (Nascido no Rio de Janeiro, 16 de agosto de 1923 - Faleceu no Rio de Janeiro, 27 de março de 2012) foi um desenhista, humorista, dramaturgo, escritor e tradutor brasileiro.

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terça-feira, 27 de março de 2012

Capitalismo combina com generosidade?



“A anarquia econômica da sociedade capitalista, tal como existe hoje, constitui, a meu ver, a fonte real de todo o mal.” A. Einstein – Gauche Européenne, de Paris, janeiro de 1957 Conrado Santos.

Se voltarmos nossos olhos para a história recente da humanidade, não poderemos deixar de avaliar que muitas das conquistas, avanços tecnológicos e, ainda que de forma desigual, a distribuição de riquezas têm suas bases na lei de mercado livre, em que o capitalismo impera. Por outro lado, não há dúvidas de que podemos creditar a esse modelo econômico o próprio estímulo a valores desajustados de consumo excessivo e culto da ganância.

Ao longo de décadas, vimos também surgirem outros modelos socioeconômicos, porém como fruto da incapacidade humana de interpretação de propostas fraternas e equilibradas, e ainda tendo nos líderes desses movimentos a expressão clara do egoísmo e do acúmulo de riquezas, esses modelos foram fadados ao desaparecimento.

Enfim, temos plena convicção que o modelo socioeconômico mais adequado ainda está para ser descoberto, e com certeza só surgirá no momento em que houver valores morais que sustentem tais propostas. Porém, cremos que seja importante estimularmos, contribuirmos e até mesmo nos colocarmos como partícipes para que essa transformação aconteça o quanto antes.

Por isso, este jornal recentemente abriu um espaço para a discussão de temas relacionados à economia sustentável, consumo e comportamento. Neste mês, despertou nossa atenção a transformação das empresas que freneticamente tentam consolidar-se na mente e no coração dos consumidores como marcas sustentáveis, e isso quer dizer que estão atentas aos seus valores ambientais, éticos, sociais e econômicos. Essas empresas descobriram um valor muito importante para que a promessa de sustentabilidade seja verdadeira: a generosidade.

A princípio, deparamo-nos com um impasse: será que uma empresa consegue ser generosa, bondosa e ainda dar lucro? A boa notícia é que sim.

Uma definição para generosidade pode ser entendida como nossa ação em priorizar as necessidades alheias em detrimento de nossas próprias. Mas o desafi o é: como aplicar esse importante pilar da transformação humana em uma base para a renovação da mentalidade corporativa e para o surgimento de práticas verdadeiramente sustentáveis?
Para uma reflexão consciente, recomendamos aos leitores o artigo na revista Business do Bem (ano IV – numero 12) do jornalista Rogério Ruschel, que com muita propriedade define a Generosidade Corporativa:

“No mundo corporativo, generosidade significa uma empresa ser menos gananciosa, tomar a decisão de reduzir um pouquinho a margem de lucro ou aumentar o prazo de retorno de um investimento para ser ambientalmente correta e socialmente justa – sem deixar de ser economicamente viável. Significa ter a coragem para modificar regras de mercado, de design de produtos e de formas de concorrência estabelecidas por força de um modelo de crescimento a qualquer custo que já se demonstrou completamente inviável do ponto de vista de recursos naturais e de felicidade humana.”

Com essa perspectiva, Ruschel coloca a generosidade como um dos pilares para a construção de uma empresa sustentável e admirada por seus consumidores. Vale lembrar que faz todo sentido ampliar o conceito de ser generoso, pois também essa é uma virtude que faz parte das buscas evolutivas do ser humano.

Ruschel defende que não basta à empresa adotar ser ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável, ela precisa demonstrar essa atitude generosa. Isso quer dizer declarar de forma aberta e transparente suas convicções, e não usar de maneira velada a sustentabilidade para ganhar espaço no mercado e ter mais lucros.

A estrada é longa, nós sabemos. Mas quando nos deparamos com marcas e empresas que passaram a ser admiradas pela coragem de abrir mão da busca implacável pelo lucro, compreendemos que estamos caminhando na direção do aprimoramento das relações socioeconômicas em nosso planeta, através da mudança de nossa percepção do que realmente deve ser importante e fundamental. O acúmulo de riquezas de forma predatória e o consumo desvairado irão dar lugar a uma nova consciência, que nos permita, sim, dizer: é possível progredir e se desenvolver, por meio das práticas socioeconômicas, e ainda assim pensar no próximo.



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quinta-feira, 22 de março de 2012

Tese mostra que o Brasil foi descoberto em São Miguel do Gostoso-RN e não em Porto Seguro-BA


O Brasil foi descoberto onde hoje é São Miguel do Gostoso e não em Porto Seguro, o Monte Pascoal na verdade é o Pico Cabugi e o marco [da Praia do Marco] na verdade foi chantado no dia 30 de abril de 1500, durante a segunda missa na Terra de Vera Cruz. A tese de que o Brasil nasceu aqui, no Rio Grande do Norte, defendida pelo pesquisador Lenine Pinto, demonstra uma série de dados a serem contestados na história oficial.

Quando estava pesquisando para seu livro Natal USA, lançado em 1965, descobriu um dado interessante, o comandante americano da força tarefa no Recife, na década de 40, Jonas Inghram, deixou escrito que escolheu Recife como base em função da proximidade com o Cabo de São Roque, que é o ponto mais estratégico no Atlântico Sul. Com relação a Salvador ele diz que teria uma melhor base, mas a distância de 400 milhas a mais fazia uma grande diferença.

"Como é que estas 400 milhas não iam fazer diferença para naviozinhos a vela, cheios de gente e dependendo de vento?", indaga Lenine.

A partir de várias pistas levantadas numa pesquisa de quatro anos, já na década de 90, ele escreveu "Reinvenção do Descobrimento" publicado em 1998. Com a proximidade da data comemorativa dos 500 anos, o pesquisador foi muito procurado pela imprensa nacional. Sua tese vem ganhando adeptos pelo País. Hoje, ele já não se emociona quando descobre mais um dado que esclarece sua tese.

A última informação deste tipo foi a da caravela Boa Esperança que saiu de Portugal e está se dirigindo ao Brasil, refazendo o caminho de Cabral nas comemorações dos 500 anos. A embarcação teve de ligar os motores na travessia do Equador por falta de vento.

Segundo Lenine, Cabral também teve este problema. O navio estava praticamente parado. O tempo estimado da travessia de Cabo Verde ao porto seguro, onde ancorou Cabral, são 30 dias. Ele deve ter ficado um ou dois dias no mar parado em função do desaparecimento da nau de Vasco de Ataíde. "Na realidade ele fez a travessia em 28 ou 29 dias como é que ele poderia ter ido até o sul da Bahia?", adianta.

No ano seguinte, em 1501 João da Nova, fez a travessia do Atlântico e levou 30 dias do Cabo Verde ao Cabo de São Roque, o que Lenine entende como mais um respaldo para o tempo da viagem feita por Cabral. "D. Manuel numa carta enviada ao Rei da Espanha explica que ele mandou João da Nova para procurar Cabral e eles já sabiam da rota. João da Nova não foi para o sul da Bahia e sim para as imediações do Cabo de São Roque", explica o pesquisador.

Lenine defende que os portugueses já haviam passado pela terra de Vera Cruz. Uma das provas é que a carta do rei D. Afonso V datada de 1470, proíbe os comerciantes portugueses que negociavam na Guiné de explorar o pau-brasil. "Por que o pau -brasil? Não tinha o pau brasil lá", questiona o pesquisador.

AGUADA — Em 1498 havia peste na ilha de Cabo Verde, o arquipélago estava seco e já se presenciava a seca provocadora do esgotamento de suas reservas hídricas. Este era o local para reabastecimento de água das embarcações. Vasco da Gama, lembra Lenine, passou por lá e também fez estas observações, depois de Cristovão Colombo. Nas instruções a Cabral diziam que se ele tivesse água para mais quatro meses não era preciso parar em Cabo Verde.

A aguada - que era o sistema de abastecimento das naus, incluindo caça, a reposição de lenha dos navios e o descanso para os portugueses - aconteceu em Vera Cruz e não em Cabo Verde. "O ponto fundamental da carta de Caminha são as notícias das águas. Ele diz que as águas são muitas, encontraram lagoa de água doce e fala muito nos rios", menciona Lenine.

O pesquisador afirma que a água era tão importante que a naveta de mantimentos foi mandada de volta para Portugal com as notícias sobre este verdadeiro tesouro para a navegação portuguesa: a água. As coincidências históricas apontam mais uma questão que leva o descobrimento ao Rio Grande do Norte. O mapa de Cantino, em 1502, mostra que a ponta litoral do Estado era chamada de São Jorge, exatamente o santo do dia 22 de abril. Era praxe entre os navegantes batizar os achados como o nome do santo do dia.

O MARCO — Era normal chantar um marco no ponto onde chegavam e ao alcançarem o mar chantavam o segundo marco. "O Brasil tinha dois padrões (marcos), um na Praia do Marco, em São Miguel do Gostoso, e outro em Cananéia, em São Paulo", ressalta Lenine. Em documentos há relatos de que Cabral percorreu duas mil milhas na costa brasileira. "Duas mil milhas é exatamente a distância entre esse ponto do RN e Cananéia", afirma. Ele lembra que o marco de Touros foi chantado por Cabral, na segunda missa no Brasil, no dia 30 de abril, junto à cruz onde foi celebrado o rito católico e tomada a posse oficialmente da terra. O local onde foi encontrado o marco ficou sendo chamado de Praia do Marco.


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domingo, 18 de março de 2012

Índice de Corrupção: Brasil nos últimos 10 anos

Os índices globais de corrupção indicam cada vez mais que existe um distanciamento do Brasil em relação ao topo da probidade, onde encontram-se os países mais honestos e justos do mundo.

Apresentação do Drº Paulo Kramer no II Forum da Liberdade/MG. O Drº Paulo Kramer é cientista político, com doutorado pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), e professor licenciado do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (Ipol/UnB).


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sábado, 17 de março de 2012

segunda-feira, 12 de março de 2012

Financiar "Playboys"! Sinônimo de Acefalia Nacional.


Verba pública financia carreira de neto de Fittipaldi, nos EUA.

Além de financiar a escola de pilotos do comentarista Galvão Bueno, como se divulgou há poucos dias, a Lei de Incentivo ao Esporte tem outro famoso na lista dos beneficiados por  dinheiro público no automobilismo de competição: Emerson Fittipaldi.

Em setembro do ano passado, o Ministério do Esporte aprovou projeto de R$ 1 milhão para o “Programa de Formação do Piloto Pietro Fittipaldi, na Fórmula Nascar”. Dinheiro da Lei de Incentivo ao Esporte que já foi captado.

Pietro, de 15 anos, é neto de Emerson, nasceu e mora nos Estados Unidos, onde disputa a categoria de automobilismo.

Barbaridades

R$ 10,5 milhões: é valor total para projetos gerais de automobilismo aprovados pelo Ministério do Esporte, entre 2011 e 2012.

Só a Associação das Equipes e Pilotos de automobilismo Amador vai levar R$ 3,6 milhões. Outros R$ 2,1 milhões vão para o Campeonato Sul-Americano de Fórmula 3.

Repito, a lei permite, mas faltam critérios do Ministério do Esporte para limitar projetos como esses, pois quem é profissional de automobilismo têm alto poder aquisitivo.

Desperdícios

Claro que automobilismo merece apoios, mas que venham da iniciativa privada! Diante dos gravíssimos problemas de estrutura para a prática esportiva em comunidades carentes, aplicar dinheiro público na formação de  pilotos é um deboche.

Lembro que apenas 53% das escolas públicas brasileiras têm uma quadra “decente” para a prática esportiva da garotada.

Esse contraste demonstra a total ausência de políticas públicas e definições de prioridades do governo para o esporte, como já denunciou o Tribunal de Contas da União. Denúncias, apenas isso…

Farra

Não podemos esquecer que a Lei de Incentivo ao Esporte usa recursos do Imposto de Renda. O governo abre mão de R$ 300 milhões anuais para aplicar em projetos que contribuam, de fato, para o fortalecimento e desenvolvimento do esporte.

No entanto, num país com limitações de verbas para as áreas da educação e da saúde, principalmente, o dinheiro público que falta aos hospitais, por exemplo, destina-se à elite, aos que usam nomes consagrados para captar com facilidade verba pública do imposto de renda.

Agressão

Há seis anos o Ministério do Esporte fecha os olhos a essa falta de planejamento, metas e prioridades para o uso do bem público, com total omissão do Conselho Nacional de Esporte.

Assim, o Conselho afronta as políticas econômicas do Ministério do Planejamento, da Receita Federal, do próprio Palácio do Planalto, que alertam para a necessidade de fixar prioridades nos gastos públicos. E a nossa prioridade no esporte não é o automobilismo de competição.

A Lei de Incentivo precisa urgentemente de uma revisão de critérios. Enquanto isso, continuaremos jogando dinheiro pela janela do desperdício.


Dados legais:

Proponente: Instituto Emerson Fittipaldi - 02.339.999/0001-23
Título do Projeto:Programa de Formação do Piloto Pietro Fittipaldi na NASCAR
Nº SLIE: 1101751-15  UF: SP
Nº do Processo: 58701.000154/2011-45          Estimativa Público:2160001
Valor Aprovado para Captação (R$): 1.001.203,00  
Prazo para Captação: 22/09/2011 a 31/12/2012



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